Precificação na Confecção: Como Parar de Vender no Prejuízo e Construir uma Margem Real

Tarcísio Gaipo
Mentor da Indústria da Confecção
A maioria dos donos de marcas e confecções sabe fazer roupa. Poucos sabem quanto aquela roupa realmente custa.
Esse gap entre produção e precificação é um dos maiores destruidores de negócios na indústria da confecção brasileira. Você vende, entrega, recebe — e no fim do mês o caixa não fecha. Por quê?
O erro que quase todo mundo comete
Precificar "no olho" ou copiando o concorrente é uma armadilha. O concorrente pode ter uma estrutura de custo completamente diferente da sua. Ele pode estar no prejuízo sem saber. Ou pode ter eficiências que você ainda não tem.
Precificar sem método é apostar. E negócio não se sustenta com apostas.
Os 4 pilares de uma precificação saudável
1. Custo Direto de Produção (CDP)
Tudo que vai na peça: tecido, aviamentos, linhas, etiquetas, embalagem. Esse é o mais fácil de calcular, mas muita gente esquece componentes como o custo de malha que sobra, a perda de corte e os retalhos.
Dica prática: Mapeie o consumo real por peça, não o teórico. Inclua a perda de corte no cálculo — ela costuma variar entre 8% e 15% dependendo do molde.
2. Custo de Mão de Obra Direta (MOD)
O tempo que cada operação consome multiplicado pelo custo/hora da costureira. Esse cálculo exige um estudo de tempo e método (STM) real, não uma estimativa.
Uma peça que leva 45 minutos para ser feita tem um custo de MOD muito diferente de uma que leva 20 minutos. Sem esse dado, você está voando no escuro.
3. Custos Indiretos de Fabricação (CIF)
Aqui entram aluguel, energia elétrica, manutenção de máquinas, depreciação de equipamentos e salários de supervisão. A maioria das confecções subestima esse número em até 30%.
O método mais simples: some todos os custos indiretos do mês e divida pela quantidade de peças produzidas. Isso dá o CIF unitário.
4. Despesas Operacionais e Margem
Sobre o custo total de produção, você precisa cobrir: comissões de vendas, fretes, impostos, pró-labore e ainda gerar margem de lucro líquido.
A fórmula base é:
Preço de Venda = Custo Total / (1 - % de despesas e margem desejada)
Exemplo prático
Suponha uma blusa com os seguintes custos:
- Custo direto (tecido + aviamentos): R$ 18,00
- Mão de obra direta: R$ 7,50
- CIF unitário: R$ 4,00
- Custo total de produção: R$ 29,50
Se suas despesas operacionais + impostos + margem representam 45% do preço de venda:
Preço mínimo de venda = R$ 29,50 / 0,55 = R$ 53,64
Qualquer coisa abaixo disso, você está vendendo no prejuízo — mesmo que não perceba imediatamente.
Quando revisar sua tabela de preços
A precificação não é estática. Você precisa revisar seus preços quando:
- O custo de insumos sobe mais de 5%
- Você muda de fornecedor
- Aumenta ou diminui o volume de produção
- Muda o mix de produtos
- Há reajuste no custo da mão de obra
Conclusão
Precificar bem é um ato de respeito com o seu negócio e com o seu time. É a base para crescer com saúde, não apenas para sobreviver.
Donos de marcas e confecções que dominam sua precificação conseguem negociar melhor com multimarcas, lançar coleções com mais segurança e, principalmente, dormir tranquilos no fim do mês.
Se você ainda não tem um método claro de precificação, esse é o primeiro passo que precisa dar antes de qualquer outra decisão estratégica.
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